
Era madrugada e fomos acordados, havíamos chegado à Kathmandu, o terminal era um imenso terreno baldio cheio de ônibus velhos, descemos sobre uma forte neblina, alguns jovens nos cercaram oferecendo transporte até Thamel, local que fica a maioria dos hotéis da cidade, acertamos algo que parecia ser um valor justo, as moeda e valores tinham mudado, então era hora de tomar cuidado, dois jovens nos guiaram até o Thamel, em um antigo Lada branco, íamos escutando rap nepalês, gostei do rap deles, mais tarde iria levar um CD de recordação, mas antes disso, o Lada quebrou no meio do caminho, os garotos mexiam daqui, mexiam dali, até que o carro voltou a funcionar, passava das duas, o frio castigava, iam procurando algum hotel aberto ou com vagas, fomos parar em um hotel luxuoso, a primeira grande bica da viagem, a estadia custava 50 dólares por pessoa, para quem até o momento pagava de 5 a 10 dólares por dia, aquele era um prejuízo gigantesco, mas não tivemos escolha naquela hora, chegamos cansados, primeira idéia: tomar um banho, mas infelizmente nem os hotéis de luxo tinham água quente, banho difícil foi esse, descobrimos mais prejuízos: a Ady ao mexer em sua bolsa, descobriu que sua blusa fora roubada durante o transporte na travessia de Kakarbhitta a Kathmandu, as mochilas ficavam em cima do ônibus, averigüei a minha mochila e percebi que a camisa do São Paulo F.C. também fora roubada, dormi aquela noite um pouco triste, pois ela era a camisa tradicional das expedições... No outro dia acordamos cedo, primeiro passo, encontrar um hotel econômico, não demorou muito e achamos nosso hotel ideal em Thamel, que por incrível que pareça, tinha água quente, o que não tinha era energia, o dono do hotel nos explicou que o Nepal passava por um grande racionamento de energia, devido a seca que assolava o país, a energia chegava ao escurecer, por volta das 7 horas, e funcionava até 11 da noite, depois disso era hora de dormir, também nos informou, que o sistema de coleta de lixo estava parado a mais de uma semana, para não se assustar, mas ao caminhar por Kathmandu não tinha como não se impressionar... Deixamos nossas roupas sujas para lavar, eles cobram por peso, e saímos a caminhar pelas vendinhas do Thamel, lá encontrei o que há muito tempo procurava: as bandeirinhas da Índia e Nepal, para costurar na mochila, depois seguimos para uma das Stupas mais antigas do mundo, Swayambhunath, que datam mais de dois mil anos, chamado também de templo dos macacos, caminhamos cerca de uma hora até chegar ao templo, a subida era íngreme, feita por uma infinita escadaria, até chegar a Stupa. O local é místico, cheio de cores, macacos, estátuas de deuses budistas, bandeirinhas, incenso, as meninas estavam com a língua pra fora quando chegaram ao topo, dava pra ver toda cidade de Kathmandu lá de cima, mas a imagem não impressionava tanto... Ao chegar ao topo finalmente tive o encontro tão aguardado, estar lado a lado com os famosos olhos de Buda sobre a Stupa, ao lado, dezenas de Stupas menores, vendinhas de quadros e artesanato local, paramos no Stupa Café para tomar um lassi e continuamos a peregrinar pelo local, que nos rendeu belíssimas fotos, e um dia muito agradável, no retorno paramos para almoçar em um dos restaurantes do Thamel, momos e outras cositas mais, e para comemorar nossa chegada ao Nepal, muita breja, a Everest, andando pelas vendinhas começamos a notar que ao contrário do que imaginávamos, o Nepal era um país mais caro para viajar do que a Índia, o Nepal praticamente não produzia nada, a maioria dos produtos eram importados da Índia e de outros países, o que elevava o preço de tudo. Á noite fomos quando a energia voltou fomos ao restaurante com música ao vivo, comer umas porções de batata e carne de carneiro, e depois de muito tempo voltamos a escutar alguém tocar canções americanas, e olha que o nepalês manda bem, foi um momento agradabilíssimo e de recuerdos naquela noite...